Lojistas que usam a plataforma da Walletdoc, empresa sul-africana de tecnologia de pagamentos, já podem ativar as Visa Payment Passkeys no checkout online. Com o recurso, quem paga com cartão Visa confirma a compra pelo rosto, pela digital ou pelo PIN do celular, sem digitar código de uso único e sem ser levado ao banco, informou a empresa em comunicado publicado na Finextra.
Como muda a aprovação da compra online
Etapa
3D Secure (modelo atual)
Visa Payment Passkeys
Onde o cliente aprova
No banco, antes de voltar à loja
No próprio celular
Como confirma
Código de uso único ou app do banco
Rosto, digital ou PIN do aparelho
Onde fica a credencial
Não se aplica
No aparelho; a biometria não é compartilhada
Comparação descrita no comunicado da Walletdoc. Fonte: Finextra
Como a biometria substitui o código
O cadastro, segundo a Walletdoc, pede poucos toques. O comprador gera a chave de acesso uma vez e, quando voltar a pagar com o mesmo cartão naquele telefone, usa essa chave para validar a transação. A credencial não sai do aparelho e as informações biométricas ficam com o usuário, o que, pela descrição da empresa, deixa o método protegido contra phishing.
Hoje, a maior parte das compras online com cartão no país passa pelo 3D Secure (3DS), protocolo que desvia o cliente até o banco para autorizar o pagamento e só então o devolve ao site da loja. A Walletdoc tem tecnologia de 3DS desenvolvida em casa e apresenta as passkeys como uma camada que preserva essa proteção e corta etapas. Para o lojista, a integração vem pela plataforma da empresa, sem desenvolvimento próprio.
O recurso se soma às carteiras digitais que a Walletdoc já aceita (Apple Pay, Samsung Pay e Google Pay) e estende a confirmação biométrica a qualquer pagamento com cartão Visa, e não só ao que passa por carteira.
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O argumento da fraude e da conversão
O comunicado cita um dado atribuído à Visa: a autenticação biométrica pode reduzir a fraude em até 50% na comparação com códigos de uso único enviados por SMS. O texto afirma ainda que todos os grandes sistemas operacionais e 90% dos navegadores já suportam o padrão que sustenta as passkeys, numa base estimada em 4 bilhões de aparelhos de consumidores no mundo.
Dan Wagner, Joint CEO (co-CEO) da Walletdoc, disse que a novidade oferece aos lojistas “uma forma comprovada de reduzir fraude enquanto convertem mais vendas” (em tradução livre). Vinesh Ramnarain, vice-presidente de produto e soluções da Visa para a África Subsaariana (Vice President: Product and Solutions), afirmou que o setor lida há anos com o desafio de “como tornar a autenticação mais forte sem deixar a jornada do cliente mais complicada” (em tradução livre).
O primeiro teste está na adesão dos compradores. A chave precisa ser criada no primeiro uso, e o ganho de agilidade só aparece a partir da compra seguinte com o mesmo cartão no mesmo aparelho. Vale acompanhar se empresas de pagamento da região vão divulgar números próprios de conversão e de fraude depois da troca, já que o percentual de até 50% citado no anúncio vem da bandeira, e não de uma operação local.
A outra pergunta envolve os emissores. No 3DS, é o banco que recebe o comprador na etapa de aprovação. Resta saber como os bancos sul-africanos vão se posicionar num fluxo em que a confirmação acontece inteira no aparelho do cliente.