A iCred, fintech especializada em crédito consignado, lançou o Consignado do Trabalhador, sua operação no âmbito do Crédito do Trabalhador, modalidade destinada a profissionais com carteira assinada. Nos primeiros cinco meses da operação, a companhia planeja originar R$ 200 milhões em crédito.
A modalidade amplia a atuação da iCred no setor privado. A fintech já financiou mais de R$ 5 bilhões em crédito, e mais de 9 milhões de clientes passaram por sua plataforma, com 5 milhões ativos.
Dos convênios um a um à plataforma do MTE
A estreia vem depois da digitalização da infraestrutura do consignado privado no país, que ampliou o acesso das instituições financeiras aos trabalhadores com vínculo formal. Antes, a oferta dependia de convênios firmados individualmente entre cada instituição e cada empregador, um processo mais restrito e operacionalmente complexo. Agora, os dados da operação estão integrados à plataforma do Crédito do Trabalhador, operada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) com dados do eSocial, o que permite uma oferta em maior escala.
Para a iCred, a mudança abre uma frente junto ao trabalhador do setor privado e complementa um portfólio que já inclui consignado para beneficiários do INSS e antecipação do FGTS. “Temos uma oportunidade de ampliar o acesso ao crédito para esse público, mas queremos fazer isso de forma responsável, combinando a nossa capilaridade nacional com uma política criteriosa de concessão”, afirma Túlio Matos, CEO da iCred.
A contratação é digital, mas a estratégia também se apoia na rede da iCred, formada por mais de 60 mil agentes cadastrados e presente em mais de 5.400 municípios brasileiros.
iCred · Consignado do Trabalhador
A meta do primeiro ciclo e a rede que apoia a contratação
Meta de originação e tamanho da rede de agentes, números da empresa
A companhia mapeou empresas com informações de mercado e definiu critérios para identificar os empregadores adequados à sua política de crédito. Pesam na seleção o cumprimento de obrigações trabalhistas e a regularidade dos recolhimentos ligados aos vínculos empregatícios.
Com o mapeamento, os agentes poderão atuar nas empresas selecionadas como pontos de apoio aos trabalhadores: explicam como a modalidade funciona, tiram dúvidas e ajudam na contratação. Nas empresas atendidas, o trabalhador também poderá usar um QR Code específico para começar o fluxo pelo celular e concluí-lo sozinho, com o agente como suporte.
“Queremos combinar a eficiência da tecnologia com algo que sempre foi uma força da iCred: a proximidade com o cliente. […] É uma combinação entre escala digital e atendimento próximo”, explica Matos.
Análise olha empregador e vínculo, não só a margem
Em vez de avaliar somente a margem disponível, a iCred fará uma análise que considera características do empregador e do vínculo profissional do trabalhador. Com o consentimento do cliente, a fintech verifica dados como empregador, remuneração, tempo de vínculo, atividade profissional e margem consignável disponível. Pesam ainda a empresa e o setor.
Com esses componentes, a iCred calcula o risco da operação e define o limite que poderá ser oferecido ao trabalhador. Aceita a proposta, a formalização é digital e o dinheiro sai via Pix. Os contratos poderão ter prazos de 12 a 48 meses, conforme cada operação.
Para o CEO, o primeiro ciclo serve de base para os próximos passos. “À medida que construirmos histórico e aprofundarmos o conhecimento sobre esse público, poderemos ampliar gradualmente o universo de empresas elegíveis e evoluir aspectos da oferta, como limites, prazos e condições de contratação”, conclui Matos.
O que observar
A novidade interessa a trabalhadores com carteira assinada que buscam crédito com desconto em folha e a empresas que recebem os agentes. Os R$ 200 milhões são meta, não volume contratado. Vale acompanhar quanto dela se confirma e se a fintech amplia, como o CEO sinaliza, o universo de empresas elegíveis.