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Money20/20 USAInternacional · CFTC

Diretor da Casa Branca vê SEC e CFTC no vazio da lei cripto

Patrick Witt, diretor de conselho da Casa Branca, previu no Money20/20 que SEC e CFTC vão ocupar o vazio enquanto o CLARITY Act segue parado no Senado.

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· 4 min

Money2020
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No Money20/20 USA, em Las Vegas, na segunda-feira (19), Patrick Witt, diretor-executivo do Conselho de Assessores do Presidente para Ativos Digitais, da Casa Branca, previu, ao falar dos próximos cinco anos, que a SEC e a CFTC vão preencher o vazio tanto quanto puderem. O painel tratou do CLARITY Act, projeto que reparte entre os dois reguladores a supervisão do mercado de ativos digitais e que segue parado no Senado dos EUA.

Witt dividiu o palco do painel com Dusty Johnson, deputado federal dos EUA, em conversa mediada por Cody Carbone, CEO da Digital Chamber. O debate girou em torno do lugar dos EUA nos mercados financeiros e do papel do governo na aproximação entre bancos e ativos digitais.

Quando Carbone quis saber como serão os próximos cinco anos, Witt respondeu: “Acho que a SEC e a CFTC vão preencher o vazio o máximo que puderem. Vocês vão ver a integração do blockchain às nossas instituições financeiras tradicionais existentes […]” (em tradução livre).

Na mesma resposta, ele afirmou que as empresas cripto que já ganharam escala vão crescer ainda mais e que, depois que a tecnologia chegar a usuários e a instituições financeiras tradicionais, “vai ser extremamente difícil tirar isso das mãos deles”. E encerrou: “Vai refazer o nosso sistema financeiro, mas vai levar tempo”.

O que o CLARITY Act reparte entre SEC e CFTC

Na versão apresentada à Câmara em 29 de maio de 2025, o projeto cria regras para as chamadas commodities digitais, ativos cujo valor depende de um blockchain, segundo o resumo oficial do Congresso dos EUA. A CFTC, reguladora de derivativos, passaria a cuidar em geral da negociação desses ativos. A SEC, a comissão de valores mobiliários, ficaria com parte das operações, conforme o quadro abaixo.

Quem fiscaliza o quê no CLARITY Act

Regulador O que fica com ele
CFTC Negociação de commodities digitais, com bolsas, corretoras e dealers desses ativos
SEC Operações em sistemas alternativos de negociação e em bolsas de valores nacionais; dispensa de registro para ativos em blockchain maduro, com teto de vendas anuais
Prevenção à lavagem Bolsas, corretoras e dealers de commodities digitais seguem o Bank Secrecy Act

Resumo da versão apresentada à Câmara; o texto mudou na tramitação. Fonte: Congress.gov

Onde está a tramitação

A Câmara aprovou o texto em 17 de julho de 2025, por 294 votos a 134. No Senado, o Comitê de Bancos aprovou um substitutivo em 14 de maio de 2026. Em 15 de setembro de 2026, os senadores não reuniram votos para encerrar o debate sobre o início da análise do projeto em plenário: foram 49 a 50. No mesmo dia, um pedido de reconsideração da votação foi registrado, e essa segue como a última ação no registro do Congresso. O CLARITY Act não virou lei.

CLARITY Act · tramitação no Congresso dos EUA

Aprovado na Câmara em 2025, o projeto parou no Senado em 2026

Marcos do projeto de lei de estrutura do mercado de ativos digitais

Linha do tempo do CLARITY Act no Congresso dos EUA. Em 17 de julho de 2025, a Câmara aprovou o projeto por 294 votos a 134. Em 14 de maio de 2026, o Comitê de Bancos do Senado aprovou um substitutivo. Em 15 de setembro de 2026, o Senado não avançou o projeto, por 49 votos a 50, e um pedido de reconsideração da votação foi registrado no mesmo dia, última ação registrada até 20 de outubro de 2026.

Ações registradas no Congresso dos EUA. O projeto não virou lei. Fonte: Congress.gov (registro até 20/10/2026). Arte: Let’s Money.

Na época, o Let’s Money registrou que o Senado dos EUA travou a lei que definiria as regras da cripto. Johnson está entre os coautores originais do projeto na Câmara, segundo a lista oficial de coautores.

A expectativa de que os reguladores ocupem esse espaço já circulava no setor depois da votação: com a lei travada, a cripto dos EUA recorre à SEC e à CFTC.

No Brasil, a autorização de prestadoras de serviços de ativos virtuais cabe ao Banco Central, que já recebe pedidos: a Crown, emissora de stablecoin atrelada ao real, pediu ao BC autorização para ser corretora cripto.

O que observar

A primeira pergunta é se regras escritas pela SEC e pela CFTC, sem uma lei aprovada por trás, darão a bancos e corretoras segurança jurídica suficiente para levar o blockchain à operação, ou se parte das instituições vai preferir esperar o Congresso.

A segunda é de calendário. O pedido de reconsideração mantém aberta a chance de o Senado votar de novo o avanço do projeto. Enquanto isso não acontece, o mercado de ativos digitais dos EUA segue sem uma lei que diga, de uma vez, o que fica com cada regulador.

Fontes: Money20/20 • Congress.gov • Let’s Money

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